Astronomia Moderna e o Batismo do Halley/2010

Astronomia Moderna e o Batismo do Halley/2010

            Longo caminho foi percorrido para que a astronomia superasse as concepções aristotélico-ptolomaicas do universo, dominantes por muitos séculos. Segundo tais teorias, os corpos celestes giravam em torno da Terra, fixos a esferas perfeitas e transparentes. Quanto aos cometas, Aristóteles já havia proposto que não eram astros, mas efeitos meteorológicos provocados por emanações que, oriundas da própria Terra, ascendiam à alta atmosfera, onde se inflamavam.

Em 1443, dez anos depois dos primeiros registros feitos por Paolo Del Pozzo Toscanelli sobre as órbitas dos cometas, Copérnico publicou De Revolutionbus Orbium Coelestium, propondo a idéias de um universo heliocêntrico. Em 1531, a observação do Halley – que ainda não tinha este nome – levou Peter Apianus a apontar pela primeira vez um fato cientificamente relevante: a cauda do cometa voltava-se sistematicamente na direção contrária à do Sol.

            A chegada de um brilhante cometa em 1577 já encontrou um ambiente propício a novas interpretações. Analisando cuidadosamente as observações realizadas em diferentes países, o notável astrônomo dinamarquês Tycho Brahe concluiu que a trajetória desse cometa estava acima da órbita da Lua, afastando assim a idéia de que eram objetos meteorológicos. Os dados que recolheu, extraordinariamente precisos, foram usados depois, entre 1609 e 1618, nas análises do alemão Johannes Kepler, descobridor da forma elíptica das órbitas celestes e formulador das famosas três leis do movimento planetário.

(…) O conjunto de fatos que conflitava com as proposições aristotélicas e reforçava a concepção heliocêntrica de Copérnico. Mas as idéias antigas ainda tinham ao seu lado instituições poderosas. E Galileu foi obrigado a abjurar suas conclusões, permanecendo preso pela Inquisição até o fim de sua vida, em 1642. Seu trabalho, no entanto, apressou a formalização de um novo método de análise, no qual conceitos metafísicos como substância e causa foram substituídos por conceitos operacionais, como massa, tempo e espaço. Passíveis de quantificação, estes últimos podem estabelecer entre si relações matemáticas, dando lugar a modelos cuja verificação experimental é possível. Era o início da revolução científica.

            A construção de um novo modelo abrangente para a Mecânica dos corpos celestes teve que esperar, no entanto, a contribuição do inglês Isaac Newton, nascido no ano da morte de Galileu, herdou, além de subsídios conceituais, um ambiente mais apropriado para o desenvolvimento de atividades científicas. Os observatórios de Paris e de Greenwich, bem como importantes sociedades científicas, já estiam na época de seus primeiros trabalhos, que logo se revelaram fecundos. Com base em um conceito revolucionário – o da inércia -, aplicou ao movimento da Lua a explicação utilizada para a queda dos corpos na Terra. Depois, em seu livro Principia Mathematica Philosophiae Naturalis, estendeu o raciocínio para todos os corpos celestes, propondo a teoria da gravitação universal: os astros se atraem na proporção direta de sua massa e na proporção inversa do quadrado da distância que os separa.

Fonte: Bem-vindo Halley! MATSUURA, Oscar T. Revista Ciência Hoje, SBPC, v.4, n. 21, p. 35.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: